poema de Wander Shirukaya
I
Pois se acordo taciturno
me enfurno nas lembranças
sem descanso, céu ou glória,
a vitória está depois
muito além das pernas
muito além dos lábios
que molhados quis
vou pensar que fiz
ao ouvir vis sábios
que só plantam culpas.
II
Curvas parindo saudade
dádiva-praga mel-rícino
lívido e sôfrego espero
quero algum golpe de chuva
que me lave a pele
que me lamba a alma
e que rasgue o manto
que é teu ventre santo
profanando a calma
encobrindo aurora.
III
Agora rezo outra vez
com tez suando tesão
refrãos que beijam teus tímpanos
em ímpios gritos de volta
te comendo em corpo
te fodendo em alma
devorando estrelas
que em cem centelhas
representam palmas
aos amores vívidos.
IV
Aflora tristeza pura
candura tornou-se ranço
um cancro florindo rindo
num lindo escarcéu que chora.
Rememoro línguas
idiomas vis
de pornôs morfemas
recriando temas
que não sejam gris
e me tragam risos.
V
Arrisco conjeturar
achar determinação
então amadurecer
viver sem mais cromatismos,
mas me impede o séquito
de lembranças ternas
agridoces beijos;
sendo assim, eu deixo
minhas mãos às pernas
batendo lamentos.
VI
Dentro do corpo cansado,
significado supera
espera significante
ante o expor dos tormentos.
Alucinações…
Existencialismo
Amaldiçoado!
Projetam meu lado
protegem o abismo
do eu-pieguice.
VII
A mesmice da saudade
vai de guia me levando.
Tanto faz ser consciente,
crente em finais felizes.
Assim sigo triste
alegre pros outros
desse mundo irônico;
num rir xantocrômico
aguardo tal louco
passar a saudade!





Gostei da primeira parte.
“ao ouvir vis sábios / que só plantam culpas” ficou excelente.
É o fresco é, fazendo poesia agora? HUeUHEUHEUEHuEHUHE
Ja postei alguns poemas aqui, tenho um blog d poemas tbm. É legal inventar coisas na poesia. A única coisa ruim, e é o q tm me feito pensar em parar de escrever poesia, é te associarem forçadamente a ela, mesmo sendo munha produção de prosa sendo muito maior (digo em quantidade mesmo). Mas vamo indo.
e o pior: medíocre! rsrsrsrs.
“Pois se acordo taciturno
me enfurno nas lembranças
sem descanso, céu ou glória,
a vitória está depois”
Este verso aí vale essa postagem inteira. Se fosse só ele, era que nem o poema do Jairo de três linhas: 47 comentários.
Se for para retirar o que presta do poema todo (eu quase pensei, pelo tamanho…”pronto, mais uma do Joedson…rs) pegaria uma estrofe. Mas não gosto nem dos blocos. Com uma estrofe na mão, pegaria um verso. Mas não gostei. Não gostei do poema. E cuidado, Wander. Eu tinha um verso de certo poeta como o pior verso paraibano da história. Aí vejo “num rir xantocrômico” e tenho ganas de tirar o verso e colocar este. Putz, faz isso não. Tenho 42 anos e sofro do fígado!
sou um saco.
eu também pensei que era eu
o verso que ANDRÉ citou tá estranho
e daí?
(digo isso principalmente porque eu devo ter uns cinco dos dez piores versos no conceito dele)
o pior é que em geral quanto menor ou pior os poemas mais comentários
gostei do poema
em geral tá razoável
algumas rimas fáceis
e umas boas aliterações
dá o que pensar e o que sentir
vou dar umas relidas
a quarta parte foi a que ficou melhor no ritmo
principalmente a primeira estrofe
Wander, concordo com Joedson quanto aos aspectos rítmicos bons do poema. Talvez, uma ou outra figuração, substituindo trechos de linguagem muito direta (ex.: Arrisco conjeturar / achar determinação / então amadurecer / viver sem mais cromatismos) dessem mais força expressiva ao conjunto. Bom, mas isso é uma impressão de leitura…
Observado, anotado e especulado. Thanx pelos pitacos, manolos!
Por isso que eu odeio gente. Nunca mais mais eu vou para nada organizado por vocês. Pega muito mal falar mal de um cara legal e pega muito mal falar bem de um cara legal. Acho que eu vou ter que brigar com Wander para pode ler o poema.
Comentários são didáticos porque reforçam tópicos que sempre penso em comentar. Mesmo que reitere o que já sempre falo, aqui ou lá, em outros limbos. Negócio é o seguinte: quando se critica um texto, pra dizer que está bom ou pra dizer que está mal das pernas, sempre é crítica do texto, não da pessoa. Falar mal do povo o mundo já está lotado. Qualquer amigo meu (ou não) que escreva e se eu for criticar o texto, e então ele se ofender, tenho vontade de dizer: “Pega o corredor, vai até o fim, porta à esquerda, saída” e pronto. E mesmo assim, se a premissa é de que terão “n” leituras e “y” críticas, etc, se ainda assim o diletante se queimar, achando que foi perseguido, paciência.
Helber, sua opinião, é claro, eu respeito, é sua. Mas se o Wander se chatear porque disse que o poema dele não presta, (o que não é o caso, ou seja, ele não se chateia), cest la vie. Vou criticar poemas, contos, romances, sejam de amigos, familiares, conhecidos e desconhecidos. Terei meus textos criticados por tudo e todos e continuarei amigo, paciente, humilde e bem-humorado. Se o Caixa Baixa faz saraus e não dá em morte, atentato, vendetta e emboscada, está a prova aí de que os textos (e as críticas) não mataram seu-ninguém.
Então pronto.
tu q pensa. ja paguei um galeto e um litro de rum pruns caras t pegarem na esquina.
Helber, caso você deseje, passo-lhe por e-mail o telefone do meu psicanalista. Ele é ótimo!
A saber: num me incomodo com nada aqui nao. Comentarios tantos a favor quanto contra sao filtrados e incorporados a escritas futuras, como manda o figurino.
1- André está muito ranzinza, não gosta de nada;
2- Estou concordando demais com joedson. A IV é a melhor parte;
3- Wander constrói imagens poéticas melhor que alguns poetas;
4- Achei o poema de regular pra bom. Talvez uma reduzida fosse uma boa saída para melhorar o que não está ruim.
JAIRO
1- concordo contigo
2- por isso estás começando a ter razão
3- é porque a maioria dos que se dizem poetas não são e WANDER talvez seja
4- pode ser
eu não entendi muito bem HELBER
mas se ele quis dizer que WANDER é legal
há controvérsias
e não precisamos nos agredir fisicamente por isso
só com palavras quando necessário
e não confundindo gente com literatura
mesmo porque eu também não sou muito chegado em gente
1 – Impressão: atitude subjetiva à espera de uma confirmação racional. Ou não.
2 – Não estou ranzinza. E gostei do conto do Thiago.
3 – Menos as …
4 – Gosto de gente. Gosto de literatura. Mas com não gosto de certas gentes junto com certas literaturas.
5 – Não sei se Wander é poeta ou não. Sei que pra este poema, ele não foi muito.
6 – Joedson é um cara engraçado. É gente?
Eu não sou escritor. Desisti de ser escritor há muito tempo, depois que fiz uma ode para a geladeira lá de casa. Era uma ótima geladeira, mas um péssimo poema. Agora, descobri que meus comentários estão sendo muito levados à sério, como se fossem odes sobre geladeiras. Minhas piadas, chacotas, mentiras, ironias e provocações, quase sempre distantes de comentários do texto, são irremediavelmente respondidas com todos os tipos de distúrbios psicológicos ou monótonos e óbvios didatismos. Já provoquei mais fúria, tormento e indignação do que muitos dos poemas expostos aqui no blog. Mas eu não sou escritor. Sou um palhaço sem graça que não tem o que fazer. E, por isso, tentem me tratar como tal, ou estarão desperdiçando esforços e tomates podres.
O poema me deixou molhadinho! Vou trocar a fralda.
Eu gostaria de ver esta Ode à Geladeira. E só pra deixar claro: eu não levo a sério nada do que seja dito aqui – ou não muito a sério demais. Gosto de palhaçada. E gosto de provocar. Claro que entre uma coisa e outra, minhas idéias sobre literatura são o que são. Mas dai a ranger os dentes…nãoooooo….E ainda não viram minha Ode ao Reboco de Parede por Detrás do Sofá.
Já escrevi uma Ode à Caganeira, em 54 quadras decassílabas heróica de rima ABAB, com muitas metáforas e referências ao simbolismo.
E recitou num sarau na universidade, cheio de professores de letras lá. Eu fui testemunha.
ANDREH
6- concordo. sou.
reitero que naum gosto muito de gente, mas de mim eu gosto muito
e naum se faca de sonso
tu sabe que a gente naum presta
e deu o carai
todo mundo fazendo ODE
que odho
Só a sessão de comentários desse blog já é uma ode. rs.
No mais, corrupção e falta de sexo na minha cidade.
Obg a todos.
1 – A humildade de joedson me comove;
2- Thiago é hors-concours, andré, logo não vale;
3- Gosto de gente, logo, gosto de vocês.
Não quero estar na primeira fila vendo Felix recitar Ode à Caganeira. Tenho medo de que seja poesia encenada.
O poema À espera, de Vander Shirukaya, provocou-me, inicialmente, uma sensação de conflito temporal: Quem espera, espera por algo que ainda vai acontecer (futuro). Porém, a “espera” do poema parece se referir a algo passado – “me enfurno nas lembranças” / “curvas parindo saudade” / “rememoro línguas”.
Isto, para mim, é um comportamento dialógico, reflexivo. Mesmo com trechos de bons rítmos e outros que possam ser melhorados, é um poema a ser várias vezes relido, porque a nostalgia presente nele (a meu ver) assume várias faces. E a nostalgia é uma espécie de poesia que se materializa em sensação.
Por último, não consegui sair do comentário sem deixar algo na estrutura de maior sucesso nos comentários da postagem:
1 – O poema suscitou várias reações – Isso é bom;
2 – Gosto de umas gentes, nem tanto de outras;
3 – Dei boas risadas nessa sessão de comentários;
4 – Espero ansioso pelo próximo sarau molhado;
5 – Abraço a todos…
receba as boas vindas, Maxwell.
é sempre bom ouvir novas opiniões.
abraço
jairo
Sangue novo! Sempre bom
Péssimo