texto de Romarta Ferreira
Agora tudo branco.
Vitória já sabia que cinquenta por cento dos funcionários da empresa onde trabalhava seriam demitidos. E esperou desesperadamente não estar na lista dos despejados. Mas veio a frustração. Tentou retornar o mais tarde possível para casa, porém seu corpo implorava pela segurança que só o cheiro de um teto é capaz de exalar.
Agora tudo cinza.
Em frente à TV, virou mariposa ofuscada pela luz. Luz, da qual atrasou o pagamento, pois via na educação de seus filhos maior importância. Mais três dias, e é à luz de velas o jantar. Depois à luz de vela. Nesta ocasião Vitória tomou a vela para si e ficou brincando com a parafina derretida, não porque achava divertido e sim porque era o melhor jeito de afastar a escuridão. Tentou não olhar nos olhos de seus filhos.
Esperar acontecer o melhor pareceu ser uma saída vantajosa.
Então, finalmente aproveitou para relembrar detalhes, como a roseira do seu quintal, seu gosto de ir à praça com eles durante a manhã, as nuvens bobas encaixadas no céu e o seu chapéu de tecido.
Agora tudo azul!






Lindo ! muito boa essa reviravolta. Gostando cada vez mais de seus contos.
Tá perfeito. Romarta, naquele trecho “Nessa ocasião Vitória…”. vc não disse que tinha virgula, cadê? :p
Porém, sou sua fã e como o conto menciona “agora tudo azul” !:)
Conto singelo, tocante, simples. O modo Romarta de escrever leve como as nuvens. A imagem traduz bem a narrativa.
Essa mulher esta vendo o drama do desemprego bater a sua porta kakaka!
O conto relata a história de muitas pessoas que quando vê a possibilidade de ficarem desempregadas começam a se desesperar. Mas, a personagem, mesmo estando nessa situação começa a olhar as coisas com outros olhos, com olhar de esperança… eu curti muito o texto, mas não estou desempregada, graças a Deus!
Rsrs!
Obrigada, pessoal!
:/
(acho que é mais crônica do que conto. E, mesmo assim, não entendi muita coisa do que foi colocado, nem muito menos esta relação com as cores. Perdão, não gostei)
Interessante, mas como te disse lá no clube do conto, Romarta, carece dum pouquinho de tensão. Sem a tensão o conto perde em intensidade, ficando com uma cara meio “água com açúcar”. A idéia tá boa, mas dá cara que rende uma barbaridade ainda.
Ok!
João Matias, a questão das cores é só para comparar o estado de espírito da personagem… levando em conta o significado popular das cores.
Cuidado ao trabalhar com significados nos contos, porque nem todos compartilham este conhecimento. Em ocasiões do gênero, renderia uma nota de rodapé para explicar determinados relativismos culturais (coisa que o Manuel Puig, por exemplo, faz muito). =]
Obrigado, João…
Tá anotado…
Esse povo tá com a Síndrome da Diluição Precoce do estilo de Guimarães Rosa.
Reconheço pelos nos seus textos que Romarta tem perspicácia nas suas observações da vida cotidiana. Ela dá às coisas simples da vida uma densidade que só pessoas de tamanha sensibilidade conseguem. Parabéns, garota prodígio. Bjo, Sérgio Janma.
ERRO DE DIGITAÇÃO: “PELOS SEUS TEXTOS” E NÃO “PELOS NOS SEUS TEXTOS”.